Novembro costuma chegar com um lembrete que vai além das campanhas de cor azul. É tempo de falar sobre prevenção, autocuidado e sobre a importância de os homens olharem com mais atenção para a própria saúde. O mês é marcado pelo movimento Novembro Azul, dedicado à prevenção do câncer de próstata, mas também reúne outras datas que reforçam essa pauta, como o Dia Nacional de Prevenção às Arritmias Cardíacas e Morte Súbita (12/11), o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata (17/11) e o Dia Internacional e Nacional da Luta Contra o Câncer (27/11).
O câncer de próstata continua sendo o segundo tipo mais comum entre os homens brasileiros, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), entre 10% e 16% da população masculina deverá desenvolver a doença ao longo da vida. Em 2023, o país registrou 17.093 mortes, uma média de 47 por dia, e a projeção para o triênio 2023-2025 é de 71.730 novos casos por ano. São números que falam por si e deixam evidente o quanto a prevenção e o diagnóstico precoce ainda são desafios urgentes.
O Ministério da Saúde reforça que o cuidado com o corpo e a mente não pode ser restrito a um mês de campanha. É preciso cultivar hábitos de acompanhamento regular, manter a caderneta de vacinação em dia e realizar exames de rotina. Para fortalecer essa cultura do cuidado, foi criada a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (Pnaish), que atua em cinco eixos: acesso e acolhimento, paternidade e cuidado, doenças prevalentes, prevenção de violências e acidentes, e saúde sexual e reprodutiva.
Os dados ajudam a dimensionar o problema. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres no Brasil. A diferença não se explica apenas por fatores biológicos, mas também por comportamentos que colocam a vida em risco, como o consumo abusivo de álcool, o tabagismo, a má alimentação e a exposição à violência. Até setembro de 2025, a Atenção Primária à Saúde registrou 106 milhões de atendimentos a homens, frente a 203 milhões a mulheres, o que mostra o quanto ainda é preciso incentivar o público masculino a procurar o sistema de saúde com regularidade.
Entre os alertas que ganham força neste mês está o das arritmias cardíacas e da morte súbita. Dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas indicam que mais de 20 milhões de brasileiros convivem com o problema, responsável por cerca de 320 mil mortes súbitas por ano. As arritmias alteram o ritmo e a frequência dos batimentos do coração, podendo levar a paradas cardíacas e, em casos mais graves, à morte súbita. Os sintomas incluem palpitações, tontura, desmaios, escurecimento da visão, palidez, sudorese, mal-estar, dor no peito e falta de ar.
A prevenção é simples, mas exige constância: reduzir o estresse, manter uma alimentação equilibrada, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e energéticas, abandonar o cigarro e incluir a prática de atividades físicas na rotina. Diante de qualquer sinal de alerta, procurar atendimento médico é sempre o caminho mais seguro.
Mais do que um símbolo de campanha, novembro é um convite à mudança de postura. Cuidar da saúde é um ato de responsabilidade e também de afeto, um compromisso que deve durar o ano inteiro e se refletir em cada escolha que garante uma vida mais longa e com mais qualidade.


