A pandemia de Covid-19 matou entre 13,3 e
16,6 milhões de pessoas em 2020-2021. Essas são as estimativas
da Organização Mundial da Saúde, que triplicam o número
de mortes no mundo oficialmente atribuídas à pandemia. O número diz
respeito ao excesso de mortalidade, ou seja, o número total de vítimas diretas
e indiretas, vinculadas ao impacto da pandemia nos sistemas de saúde e na
sociedade.
A maioria das mortes em excesso (84%) está
concentrada no Sudeste Asiático, Europa e Américas. Cerca de 68% está
concentrada em apenas 10 países globalmente. Os países de renda média
foram responsáveis por 81% do excesso de 14,9 milhões de mortes (53% em
países de renda média baixa e 28% em países de renda média alta) no período de
24 meses.
O número global de mortes foi maior para homens
do que para mulheres (57% homens, 43% mulheres) e maior entre os idosos.
A mortalidade seria bem maior sem as vacinas, que
reduziram o número potencial de mortes globais durante a pandemia em
mais da metade no ano seguinte à implementação das campanhas de imunização. Estas
estimativas são de um novo estudo de
modelagem matemática publicado no dia 23 de junho de 2022 pela revista Lancet
Infectious Diseases.
O estudo aponta que no primeiro ano dos programas
de vacinação, foram evitadas em todo o mundo cerca de 19,8 milhões de
mortes de um potencial de 31,4 milhões de óbitos em decorrência da doença,
ou seja, uma redução de 63%.
Os pesquisadores da revista basearam as
estimativas no excesso de mortalidade de 185 países e territórios.
Segundo eles, o excesso de mortes é definido como a diferença entre os números
observados de óbitos em períodos específicos e os números esperados de perdas
de vidas nos mesmos períodos.
Nesse ponto, o estudo estima que mais 599.300
vidas poderiam ter sido salvas se a meta da Organização Mundial da
Saúde (OMS) de vacinar 40% da população em cada país, com duas ou
mais doses, até o final de 2021 tivesse sido atingida.
O estudo indica ainda que mais de três quartos
(79%, 15,5 milhões/19,8 milhões) das mortes evitadas se devem à proteção direta
contra sintomas graves proporcionada pela vacinação, levando a menores taxas de
mortalidade. As 4,3 milhões de mortes restantes evitadas foram prevenidas
pela proteção indireta da transmissão reduzida do vírus na
população e redução da carga sobre os sistemas de
saúde, melhorando assim o acesso aos cuidados médicos para os mais
necessitados.
Por fim, o impacto da vacina mudou ao longo do
tempo e em diferentes áreas do mundo à medida que a pandemia avançava. No
primeiro semestre de 2021, o maior número de mortes evitadas pela vacinação
ocorreu em países de renda média baixa, resultado da significativa onda
epidêmica na Índia com a variante Delta. No segundo semestre de 2021, o maior
impacto concentrou-se em países de renda mais alta, à medida que as restrições
de viagens e encontros sociais foram amenizadas em algumas áreas,
levando a uma maior transmissão do vírus.
No geral, o número estimado de mortes prevenidas por pessoa foi maior em países de alta renda, refletindo a implementação mais precoce e mais ampla das campanhas de vacinação nesses locais.