Brasil assume vice-presidência da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)

No início do mês, durante o 62º Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), foi anunciado que o Brasil passa a exercer um papel de liderança regional na área da saúde ao assumir a vice-presidência do Comitê Executivo da entidade. A decisão reforça o protagonismo brasileiro na formulação de políticas públicas e na promoção da cooperação solidária entre os países das Américas. 

Além dessa função, o país passa a integrar a Comissão Geral do Conselho Diretor e, a partir de 2026, o Subcomitê de Programa, Orçamento e Administração, garantindo presença contínua nas deliberações e ampliando sua capacidade de contribuir para o fortalecimento dos sistemas de saúde regionais.

O Conselho também estabeleceu uma agenda ambiciosa para enfrentar os desafios de saúde nas Américas, com a aprovação do Plano Estratégico da OPAS 2026–2031 e de resoluções voltadas para ampliar o acesso a tecnologias de saúde de alto custo e prevenir e controlar doenças não transmissíveis. 

Entre essas resoluções, destacam-se uma nova política para promover a acessibilidade a tecnologias de saúde de alto custo, fortalecendo estruturas regulatórias, incentivando a produção regional e ampliando mecanismos de aquisição conjunta, e o Plano de Ação para Prevenção e Controle de Doenças Não-Transmissíveis 2025–2030, focado na redução do impacto de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e respiratórias crônicas por meio de sistemas integrados de atenção primária centrados nas pessoas.

O Conselho contou ainda com sessões técnicas importantes. Foi lançado o relatório da Comissão de Saúde Regional Lancet Américas, em parceria com o Banco Mundial e a OPAS, intitulado “Não Há Tempo a Perder”, que alerta para as consequências sanitárias e econômicas da fragilidade dos sistemas de atenção primária e enfatiza a necessidade de resiliência como pilar central da saúde na região. 

Houve também uma atualização sobre os avanços no uso dos Fundos Rotatórios Regionais da OPAS, destacando inovações na produção de vacinas, a introdução de kits moleculares para diagnóstico do câncer do colo do útero e o acesso ampliado a novas tecnologias. Uma sessão dedicada à aceleração da eliminação de doenças transmissíveis permitiu a troca de boas práticas entre os países, além da apresentação do guia Melhores Investimentos, voltado para intervenções de alto impacto e custo-efetivas. Nesse contexto, o Suriname foi reconhecido como o primeiro país da bacia amazônica a eliminar a malária, simbolizando o avanço coletivo na saúde regional.

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